quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Não me leve a sério

Não me leve a sério. Me leve à um passeio, à um restaurante. Me leve a algum lugar que eu nunca fui. Me leve para onde quiser ir. Me leve para o mar, ou para as montanhas. Me leve para um país, ou me deixe aqui. Me leve nas costas, ou do seu lado. Me leve nos braços, me leve desajeitada. Me ajeite. Me leve para onde for, e se lá ainda houver amor, faço questão de te levar.

Me leve pro inferno, me deixo no Paraíso. Me leve daqui, me deixe ali. Não me deixe cair. Não me largue. Me segure, firme. Me leve a uma viagem, a um cruzeiro. Me leve a tua casa, teu apartamento. Me leve a tua família, tua roda de amigos. Me leve ao teu guarda roupa, a tua camisa. Me leve a tua porta, teu corredor. Me leve para onde quiser ir.

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Me leve em teus braços, um abraço. Me leve um beijo, um carinho. Me leve flores, e chocolates. Me leve presentes, ou apenas lembrancinhas. Me leve um amor, teu. Me leve você. Me leve ao teu peito, teu coração. Me leve devagar, sem pressa. Me leve, me encaixe. Me leve a tua vida. Me leve teu cobertor, tua cama. Me leve teu lençol, teu cheiro. Me leve tua presença, companhia. Me leve teu peito, coração. Me leve tua doçura, solidão. Me leve tua cura, rendição. Me leve teu apelo, oração.

Me leve teu sorriso, despreparado. Me leve teu jeito, desajeitado. Me leve teu cabelo, embaraçado. Me leve teu riso, escancarado. Me leve teu bolso, desafortunado. Me leva teu corpo, ensanguentado. Me leve teu medo, escondido. Me leve teu amigo, inimigo. Me leve tudo, que queiras levar. Traga-me tua vida, eu sei aceitar. Traga-me um destino, eu sei escrever. Traga-me um defeito, eu sei consertar. Traga-me um altar, eu subo lá. Leve-me lá. Estarei esperando. Leve-me uma aliança, encaixe em meu dedo. Unidos estaremos, mais do que nunca. Leve-me à nossa casa, nossa moradia. Eu e você.

Então, por favor... Não me leve a sério!

sábado, 17 de agosto de 2013

Let it go

Vim fazer um desabafo, num papel meio amassado. Não se preocupe, não te enviarei. Em alguns minutos, ou horas. Talvez dias, meses... Ele estará apagado, e enfim será queimado, para esquecer cada dor que eu já sofri.

Acordei em um dia ensolarado me sentindo cinza. Acordei querendo gritar, mas ao mesmo tempo, ficar em silêncio. Acordei sem noção, andei na contramão e isso para mim não fez a menor diferença. Tudo mudou desde que eu deixei uma parte de mim ir. Nunca fui de me entregar, e certamente, a você não exitei. Talvez em um jardim, de mãos dadas, eu tinha esperança de nos encontrar. Parece que não jeito, e que, para todo efeito, não há mais o que esperar. Te deixei ir, e me fui também. Mal sabia eu, que parte de mim, contigo ficaria.

O que fazer com um coração destroçado, sem nenhum sentido, e função? Se perdeu na escuridão, e não encontrou um guia de volta. Esse guia era você. E afinal, cadê você? Deixei recados na tua porta, ligações na tua Caixa Postal, mas acredito que não tenha se dado ao trabalho de me procurar. Não tem mais o que dizer, a gente se entregou à um abismo, e nos perdemos lá. Nos perdemos de nós.

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Meu coração não é receptor, ele não cumprimenta qualquer um, não se abala por qualquer coisa, muito menos se entrega com facilidade.  Eu não sei se errei, acredito que não. Valeu a pena, mas sentimento nem sempre é suficiente né? Aprendi isso chorando de saudade. Deve haver algo que eu desconheço, uma parte tua que eu não mereço, e por isso deixei ir. Deve ter algum segredo, algum detalhe, que por falta de atenção eu esqueci. Deve ter tido algum dia que por causa da minha mania, em algum momento, te feri. Mas te peço desculpas, que por essas coisas malucas, em você eu me prendi.

Não me arrependo do nós, me arrependo do fim. Me arrependo dos dias que não fui feliz. Me arrependo disto, enfim. Mas vai passar, há de passar. Deixei ir, deixei voar... Espero voltar. Se o destino nos for a favor, ele irá nos juntar. Eu sei que está escrito, sempre esteve. Mudou, vai mudar. Não te culpo, não me culpo, são coisas que não podemos nos responsabilizar. Tudo tem um fim, e talvez essa seja a nossa hora. Ou não. Me prova que o lago não secou, e que ainda há chances. Me prova que o amor não acabou, e seja lá o que for, passou. Espero que passe...

"Whatever, let it go."

domingo, 11 de agosto de 2013

O que eu passei, e passou...

Tormentos repentinos acontecem com certa frequência em minha mente, o que me causa um bloqueio mental, emocional ou até em algumas atitudes. Fui criada com a consciência de que por mais que tudo dê errado, em alguma parte da vida, as coisas se ajeitam, seja isso cedo ou tarde. Tudo tem o seu tempo e eu tive que aprender a lidar com isso, de forma forçada.

Já me machucaram muito e eu também já machuquei alguém, e por mais difícil que seja aceitar os nossos defeitos ou até chegar a pedir desculpas, eu alcancei o meu momento. Houve dias em que eu achei que estavam caçoando de mim, enquanto eu sofria, via pessoas que nunca valeram um centavo, rindo à toa. Já fiquei à espreita esperando uma sombra me levar, uma luz me guiar ou qualquer coisa que me salvasse desse atormento que eu sentia por dentro.

Foi em vão, durante um tempo, esperar uma saída. Lembrei-me dos tempos de amores não correspondidos, que por mais machucados que causassem, por mais profundos que fossem os cortes, quando você menos esperasse, eles saravam, e nem sequer percebia. Parecia acostumada com a dor, ou a falta dela. Reconheci que o abismo que eu queria me jogar não existia. Aquele abismo, era eu. Sempre foi. 
Eu esperei, mas depois cansei. Me acostumei. Passou. A revolta se foi e deu espaço aos meus bons pensamentos, e fiquei firme no meu foco. Quando me dei conta, eu já nem lembrava mais o que tinha acontecido. Esqueci. Sumiu. Se foi...

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As coisas se colocaram no lugar, de um dia para o outro, sem que eu nem sequer movesse um dedo. Machucou alguém, mas esse alguém não fui eu. Machucou alguém que já me machucou, e machucou um outro alguém também. Por mais que seja ruim, as lágrimas não estavam mais no meu rosto, estão agora no rosto de quem as causou em mim. É o famoso ‘Um dia do caçador e outro da caça’. Dói num coração que não é o meu. O mundo fez uma reviravolta e eu não percebi. Eu nem sequer me movi. E passou pra mim...


Agora enxergam com os olhos que eu enxerguei, ouvem pelos ouvidos que eu ouvi e pensam com os pensamentos que eu, um dia, já cheguei a pensar. E reflito: Quem diria? Quem diria que um dia as coisas seriam assim? Tão de repente, tão sem momento. O jogo virou e a casa caiu. Não desejo o mal pra ninguém, mas acredito que tudo o que plantamos, colhemos. Agora você sente a dor que eu senti, a dor que você fez um outro alguém também sentir. Agora as minhas lágrimas estão no seu rosto, e o teu sorriso está desaparecido.

Mas estou em paz. A minha consciência está limpa, o meu sorriso está à mostra, e mais sincero do que nunca. As coisas demoram mas acontecem. O meu sofrimento durou, mas a minha felicidade dura mais tempo ainda! Pudera eu lembrar que cada dor tem o seu tempo de duração e esquecer para sempre cada ferida. Venho trabalhando isso com frequência. E sinceramente? Tem passado. Tem sarado. E eu nem percebi. Talvez esse é o auge dos meus tormentos. Ou não.