sábado, 21 de setembro de 2013

Herói

Me sucumbi num quarto fechado, tênis desamarrado, rímel borrado e um tanto de cartas jogadas ao chão. Gritei aos Céus, pedindo perdão e me agarrei numa foto sua, que fez a ferida arder e um coração estraçalhar. Ouvi o som do estralo do meu peito que quase se chocou com as lágrimas escorrendo pelo rosto... Um baita impacto haveria. Sabe-se lá quem sobreviveria. Talvez um dia isso faça sentido, seja lá qual for a lição que a vida está tentando me ensinar, estou a aprender. Mesmo que lentamente, a cura está sendo formada.

A trilha sonora do meu pesadelo são suas promessas, jogadas ao vento, um tanto quanto ultrapassadas, mas sempre apaixonantes. Não entendo sua intenção, nem seu modo de falar. Um dia, tudo isso me encantou. Hoje, só me corrói. Já não ouço mais o som da sua risada, não sinto o teu perfume, e a solidão é minha companhia. Afinal, eis aqui uma pergunta incessante em minha mente: Valeu a pena deixar o tempo levar e carregar todas as lembranças que já foram o cotidiano? E seria, talvez, um coração partido, um crime ou suicídio? Poderia, você, então, ser condenado? Exilado? Tenho um apartamento em Cuba, se quiser conhecer... Mas esqueci que me desfiz de você e do seu mal querer.

.....
Dentre noites de tormenta, sem fim e amarguras, por um triz não foste além do meu pensar. O teu movimento me fez lembrar das épocas de alegria, que sorrir fazia parte do dia-a-dia, e penso comigo: Quando será que isso vai voltar? Será que ainda há chances de tudo se concertar? Você ainda tem fé em algum tipo de futuro a dois? E a quatro?

Ouço por aí que um herói pode nos salvar, mas não quero ficar aqui por esperar um alguém me libertar de uma prisão sem grades. Se o herói é o amor, talvez eu possa acreditar. Talvez tenha sentido, se entregar para algo que não se sabe onde vai chegar. Se é que vai chegar... Mas e se hoje for meu último dia? Me concederia um último beijo? Um último adeus? Esperaria o último sopro do vento tocar meu rosto e fazer balançar meus cabelos enquanto me imagino numa vida eterna ao lado teu? Seria possível recordar do meu número, do meu endereço, se eu te enviasse uma carta de socorro, com letras garrafais, enormes, te implorando que viesse me encontrar?

Esqueci que desfez os planos e aprontou as malas. Esqueci que o tempo passou e só permaneceram fotos rasgadas. Teu CD está guardado, se quiser buscar, a chave está onde sempre esteve. Se quiser ficar, nossa cama está reservada. Se quiser perdoar, estou a pedir perdão. Só me ouça, me acompanhe. Me faça um gesto, companhia. Me deseje todos os dias, pelo resto da sua vida. Me faça única, me deixe enfim, com o cheiro do teu perfume em mim. Fazes parte do meu ser, e não queres me deixar. Se me deixar, me deixe contigo, num abrigo infinito, num corredor claro, aconchegante como os teus braços.

Agora diz-me quem é o herói? Se sou eu, ou é você. Se é teu calor ou teu amor. Como podes salvar uma alma pecadora quando nem amor existe, se nem teu olhar persiste em se manter fixo ao meu. Não há mais o que fazer, se há mais fé neste ser que cogita uma vida inteira com você. Negação, sentimento errôneo. Infeliz arte de sofrer, que cria versos, faz canções, inventa medos e tira tetos e chãos. Deixa o sorriso e ganha as lágrimas. Deixa os risos e ganha os murmúrios. Deixa pra lá e a dor vem pra cá. Alguém tem que lidar. Infelizmente, esse herói não sou eu.

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